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  • Dança do passinho do menor cresce no funk e se profissionaliza

    RIO - No primeiro dia de 2012, foi assassinado o mais carismático dos praticantes do passinho do menor, a dança que vem renovando o funk por injetar graça e virtuosismo num gênero que muitos associam apenas a sexo e apologia às drogas. Gualter Damasceno Rocha, o Gambá, tinha 22 anos, trabalhava como gesseiro, era sensação na internet e nos lugares em que se apresentava, e morreu espancado num posto de gasolina, muito longe do baile em que passara o réveillon. A polícia ainda não solucionou o crime.

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    Tamanha violência poderia gerar, juntamente com o forte impacto emocional que provocou nos amigos de Gambá, uma contração do crescimento do passinho do menor. No entanto, este início de ano está emitindo sinais opostos: dançarinos têm aparecido em programas de TV ("Esquenta", "TV Xuxa" e outros), começando a se profissionalizar e deverão participar de uma segunda Batalha do Passinho, o campeonato que projetou em 2011 esses jovens para além de suas comunidades geográficas e virtuais.

    — Ouvi noutro dia uma música de que o Gambá gostava muito e comecei a chorar. Agora que o funk está crescendo, eu estou desabando — diz Jefferson de Oliveira Chaves, o Cebolinha, de 22 anos, um dos pioneiros do passinho. — Achei que ia perder o amor pela dança, mas tenho que continuar. Ele não ia gostar que eu parasse.

    Cebolinha é o melhor reflexo do momento. Profissional, criou o Bonde do Passinho, trio que participou da gravação do DVD de Seu Jorge em novembro e que vem sendo contratado para dançar em outros estados, de São Paulo ao Pará. Consciente, é entusiasta da criação de uma Escola do Passinho, na qual ele e outros mais experientes ensinariam os iniciantes, dando-lhes alternativas às do crime. Corajoso, assumiu ao lado de Gambá, sem que fossem gays, um estilo de dança bem-humorado e com trejeitos femininos, desafiando preconceitos — os praticantes do passinho superaram as gozações mostrando que as mulheres ficavam seduzidas por eles.

    — Vários atores da sociedade ainda criminalizam o funk por causa da apropriação extemporânea que o tráfico fez dele e por causa da hipersensualização. O passinho é um passo à frente porque fica longe disso e ainda estimula a circulação dos jovens, numa integração simbólica entre as áreas da cidade — diz Ricardo Henriques, presidente do Instituto Pereira Passos (IPP), órgão municipal que toca os projetos da UPP Social, a outra face do processo de pacificação dos territórios que eram controlados por traficantes.

    O IPP apoiou a batalha realizada em agosto e setembro do ano passado — com 300 inscritos, eliminatórias em três favelas e final no Sesc Tijuca — e endossa a próxima, projetada para ter seletivas nas 23 comunidades pacificadas. O campeonato é uma iniciativa do escritor Julio Ludemir e do músico e produtor cultural Rafael Soares, o Rafael Nike.

    — Por intermédio da batalha, a gente conseguiu falar para a mídia, para uma classe média universitária e para os projetos sociais da importância desse fenômeno — ressalta Ludemir, que busca renovar com o Sesc a parceria de 2011.

    Como tanta gente, ele descobriu o passinho na internet. Desde 2008, mas intensificando-se a partir de 2010, jovens gravam suas danças com minicâmeras digitais, botam no YouTube e depois as comentam numa comunidade do Orkut que reúne cerca de 10 mil pessoas. Esse sistema acelerou conquistas sociais e estéticas — o recreio nas escolas virou hora de dançar, e os líderes comunitários não deixam que os praticantes parem de estudar. Como destaca Ludemir, o funk foi se misturando ao hip-hop, ao frevo, ao samba e ao forró, formando um repertório de movimentos original e amplo.

    — Há várias misturas ali, mas eles também põem, com muita habilidade e criatividade, coisas que são só deles. O Gambá, por exemplo, era sensacional. Não é qualquer homem que solta o quadril daquele jeito — exalta a coreógrafa Deborah Colker. — Não há uma estética, um pensamento por trás, mas talvez nem precise. Já está genial e completo. Eles têm código, vocabulário. Não estranhe se eu treinar passinho com meus alunos.

    Segundo Rafael Nike, em Curitiba e São Paulo já há gente dando aulas. Tentar copiar não é difícil, pois no YouTube é possível ter acesso a um sem-número de vídeos de passinho. O problema é saber dançar com o brilho de Jackson Franco (campeão da batalha), Cebolinha (eliminado por Gambá numa disputa com direito a prorrogação), Marcos Paulo, o Kinho (quinto lugar e destaque da Cidade de Deus, onde começou a dança do bonequinho e hoje é uma das áreas fortes do passinho), ou Leandro Martins, o Bolinho, conhecido como "rei do popping", o estilo de contrair e relaxar músculos em que Michael Jackson era craque.

    Na semana passada, o GLOBO reuniu alguns dançarinos no Morro do Cantagalo, em Ipanema, onde moram talentos como Bruninho, de 12 anos, e Cristian, vice-campeão da primeira batalha com apenas 9 anos e hoje contratado do programa "Esquenta", de Regina Casé.

    — Achei que eu ia perder. Mandei tudo o que podia — conta o menino já profissional.

    O passinho do menor também vai virar filme. Emílio Domingos, diretor do longa-metragem "L.A.P.A." e de curtas como "Cante um funk para um filme" (com Marcus Vinicius Faustini), registrou toda a Batalha do Passinho no ano passado e ainda acompanhou os dançarinos fora da disputa. Ele está editando e complementando o material, e acredita poder lançar até junho "Batalha do Passinho — Os muleque são sinistro". Um dos protagonistas é Gambá.

    — Ele era um Garrincha: criativo, intuitivo, original. Virou uma lenda. Basta ver na internet quantas músicas já fizeram para ele — diz Emílio.

    Sonho de viver da dança

    Ainda em janeiro, Julio Ludemir coordenou no Arpoador uma grande homenagem a Gambá. O dançarino e também gesseiro, cria do Morro do Barbante (Ilha do Governador), era um que ansiava pela profissionalização. Por causa das várias aparições na TV, já era mais conhecido. A maioria consegue, se tanto, R$ 50 ou R$ 100 por uma apresentação.

    — O sonho de todos é viver disso, porque o nosso talento é esse — afirma Kinho, de 19 anos, um dos participantes do bonde (não há nenhuma conotação de violência no uso da palavra) mais famoso do passinho, Os Fantásticos.

    Ludemir ressalta que o talento dos rapazes deu a eles uma espécie de passe livre nas favelas, podendo frequentar bailes em áreas sob influência de qualquer facção criminosa. Eles se consideram artistas e são tratados como tais nas comunidades.

    — Em vez de ficar pensando o que fazer com os rapazes das chamadas classes perigosas, a sociedade carioca devia acompanhar a riqueza do que eles estão criando — propõe Ludemir.



  • Obama tem ampla vantagem em relação a Romney, mostra pesquisa

    WASHINGTON - Impulsionado pela recente queda do desemprego nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama apareceu à frente do pré-candidato republicano Mitt Romney com uma ampla vantagem pela primeira vez nas pesquisas sobre as eleições presidenciais, segundo sondagem do "Washington Post" e da ABC News. Entre os eleitores registrados, Obama garante 51% dos votos, enquanto Romney fica com 45%. Se contabilizados todos os americanos, mesmo aqueles que não participarão do pleito em novembro, o resultado muda pouco: 52% para o democrata contra 43% para o republicano.

    Romney, que venceu no sábado o caucus de Nevada, se consolida cada vez mais como o favorito a representar o Partido Republicano na briga pela Casa Branca. Com a difusão de propagandas negativas sobre o ex-governador de Massachusests, porém, a impressão do eleitorado sobre ele tem piorado. Um em cada dois americanos dizem que quanto mais eles sabem sobre Romney, mais eles o desaprovam, revelou a pesquisa. Além disso, 55% dos entrevistados afirmou não estar satisfeito com as propostas republicanas.

    A pesquisa foi feita de quarta-feira a sábado e entrevistou mil americanos com mais de 18 anos em todo país. Neste período, tanto Romney quanto Obama estavam no centro da mídia: Obama tinha acabado de realizar o discurso de Estado da União, e os republicanos estavam a todo vapor na campanha pelas prévias do partido.

    Se Romney não cativou ainda os americanos, por outro lado, o presidente Obama continua ser uma figura polarizada. A população se divide quanto o assunto é o segundo mandato. Sua aceitação, no entanto, ganhou novo fôlego com a queda do nível de desemprego no país, anunciada semana passada. Além disso, 57% dos americanos que ouviram o discurso do Estado da União disseram aprovar suas propostas, revelou a pesquisa.

    Segundo a sondagem do "Post" e da ABC News, a taxa de aprovação de Obama seria de 50%, a maior desde a morte do terrorista Osama bin Laden, em maio passado. O problema é que o índice de desaprovação em relação ao seu governo também é bem alto, 46%. Entre os eleitores registrados, 49% diz que o desempenho do presidente deve lhe garantir um segundo mandato. Exatamente o mesmo número de pessoas, entretanto, pensam o contrário.

    Mas os recentes eventos ajudaram a impulsionar as intenções de votos de Obama entre os eleitores independentes. Na última pesquisa, Romney ficava a frente neste quesito com uma vantagem de 12 pontos percentuais. Agora, Obama aparece com 48% dos votos, enquanto Romney fica com 47%.

    A nova sondagem também testou o resultado de uma eventual disputa entre Obama e Newt Gingrich. Neste caso, Obama fica entre 11 e 15 pontos percentuais à frente do adversário republicano, índice parecido com o divulgado por pesquisas em janeiro.



  • Trânsito intenso na Autoestrada Lagoa-Barra

    RIO - Trânsito intenso na Autoestrada Lagoa-Barra, sentido Barra da Tijuca. Os motoristas enfrentam retenções na altura do Clube de Regatas do Flamengo.



  • OK Go grava clipe com instrumentos tocados por um carro

    RIO - O OK Go voltou a surpreender a internet com mais um de seus videoclipes. Dessa vez, a banda americana gravou uma versão da música "Needing/Getting" com instrumentos tocados com a ajuda de um carro.

    Para o clipe, feito em parceria com a Chevrolet, a banda organizou mais de mil instrumentos em cerca de três quilometros no deserto nas proximidades de Los Angeles. Um Chevy Sonic ganhou braços retráteis usados para tocar esses instrumentos. O resultado pode ser visto no vídeo acima.

    O OK Go precicou de quatro meses para preparar o cenário e quatro dias para filmar e gravar o clipe e o vocalista Damian chegou a fazer aulas de pilotagem com dublês para a empreitada. O vídeo foi dirigido por Brian L. Perkins & Damian Kulash Jr..



  • Estudo mostra as diferenças entre homens e macacos ao ver um filme

    RIO - Os filmes de bangue-bangue forneceram informações cruciais para a neurociência. Ao analisar as reações cerebrais de pessoas e de macacos que assistiram ao clássico “Três homens em conflito” (título original “Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo”, de 1966, de Sergio Leone), cientistas observaram uma série de diferenças na arquitetura funcional dos cérebros destas espécies.

    O objetivo do trabalho, publicado nesta segunda-feira na revista “Nature Methods”, é ajudar a superar as dificuldades que os cientistas enfrentam quando compararam símios e humanos, separados por milhões de anos de evolução.

    O ponto de partida foi outra pesquisa, de 2004, na qual Uri Hasson e equipe usaram ressonância magnética para analisar os cérebros de cinco pessoas que assistiram a um clipe de 30 minutos do filme. Eles detectaram regiões do córtex cerebral que registraram maior atividade, em especial nas partes visual e auditiva, e que os padrões de ativação eram notavelmente semelhante em todos eles. Essa sincronia levou os pesquisadores à conclusão de que filmes podem fazer com que seus espectadores tenham reações cerebrais semelhantes.

    A partir deste experimento, Hasson resolveu testar a hipótese de que essa comparação também pode ser possível entre espécies diferentes. O método, chamado de correlação de atividade entre espécies, compara os padrões de ativação cerebral observados em humanos com os de macacos.

    Os pesquisadores, então, recrutaram 24 pessoas, que tiveram o mesmo padrão de atividade cerebral ao ver o filme em relação aos resultados do estudo de 2004. Em seguida, exibiram o mesmo clipe seis vezes para quatro macacos. Os animais também apresentaram padrões de atividade semelhante entre si.

    Na hora de comparar humanos com macacos, os cientistas concentraram-se em 34 regiões distintas do córtex visual. Em ambas as espécies, a informação visual é processada de forma hierárquica. Em macacos, aproximadamente metade do córtex é dedicado ao processamento da visão.

    Durante o curso da evolução humana, houve uma grande expansão da superfície cortical. O córtex visual humano não cresceu tanto, mas ganhou sub-regiões especializadas. Grande parte do aumento de tamanho do cérebro humano ocorreu em outras partes, incluindo o córtex pré-frontal, na parte da frente do cérebro, envolvido em tarefas complexas, como a tomada de decisão.

    Isso explica porque os pesquisadores observaram algumas diferenças surpreendentes entre as espécies. Áreas sem correspondência foram ativadas ao mesmo tempo, enquanto áreas que deveriam desempenhar um papel semelhante entraram em atividade em momentos diferentes. Para especialistas, este fato sugere os seres humanos desenvolveram funções completamente novas.

    - Algumas funções são deslocadas para locais não previstos pela anatomia. Isto sugere que o cérebro humano não é simplesmente uma versão ampliada do cérebro do macaco - diz Wim Vanduffel, da Harvard Medical School.




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