Conheça o ganhador do prêmio de Temas Livres do Congresso da ABTPé, sua trajetória profissional e expectativas.

Aos 70 anos de idade e, após 46 anos de profissão, o Dr. Kandir Innocenti Dinhane foi o vencedor entre os 172 trabalhos inscritos na categoria Temas Livres no 19o Congresso da ABTPé, realizado entre os dias 15 e 18 de maio.

Com o trabalho “Alteração à curto prazo pós-infiltração em tendões de coelhos – Estudo randomizado e controlado”, o médico mostrou que não há efeitos deletérios na utilização de infiltração de corticoides intratendinosas, contradizendo estudos da década de 80, que afirmavam o contrário. “O trabalho passado estudou apenas 5 animais, ao passo que o nosso estudo envolveu 70 espécimens. Utilizamos uma metodologia mais moderna e pudemos apresentar evidências concretas de que as infiltrações não são danosas, como se imaginava”, explica o Dr. Kandir.

Com muita gratidão e modéstia, ao falar da premiação, Dr. Kandir não esconde o orgulho de seu trabalho. “A gente tem que realizar sempre, mesmo com a idade relativamente avançada e fora do ambiente universitário por muito tempo. Resolvi enfrentar a informática, o inglês e os prazos rígidos da pós-graduação para escrever este trabalho. A felicidade de ser reconhecido pelos meus pares é indescritível. Para mim, este prêmio é equivalente ao Nobel. Não fiz o estudo sozinho, contei com uma ótima equipe e agradeço muito meus orientadores, foi uma parceira importantíssima”, comenta.

Além da premiação da ABTPé, o estudo também foi publicado em uma renomada revista científica americana - American Journal of Sports Medicine. Por este motivo, o especialista considera estar vivendo o topo de sua carreira. Filho de pai motorista de caminhão e de mãe professora primária, Dr. Kandir nasceu na cidade de São Manuel, interior de São Paulo e se tornou médico inspirado no profissional que o atendia quando criança, durante suas crises de asma. “Naquela época não havia pronto-atendimentos e os médicos nos visitavam em casa. Havia um médico que sempre me atendia e me tirava aquela falta de ar. Eu o via, desta forma, como uma espécie de um deus que aliviava o meu tormento. Foi ele que me despertou o interesse pela medicina”, conta.

Foi então que, em 1973, Dr. Kandir mudou-se para Botucatu e cursou medicina na UNESP – Universidade Estadual Paulista e, anos mais tarde, fez residência em ortopedia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, onde conheceu o Dr. Napoli que acabara de fundar a Sociedade Brasileira de Podologia. “Todos os residentes do Dr. Napoli foram inscritos na Sociedade e foi assim que fui me apegando à especialidade”, lembra.

Anos depois, o médico se tornou professor universitário, voltando a UNESP de Botucatu. Seis anos depois, iniciou um novo ciclo em sua carreira, abrindo sua própria clínica médica. Por volta de 2001, Dr. Kandir voltou a estudar e foi no curso de mestrado de cirurgia de tornozelo e pé que desenvolveu este trabalho, que viria a ser premiado. A sua meta agora é fazer um doutorado “Não penso em parar. Este estudo abriu uma grande linha de pesquisa que agora precisa ser aprofundada. Vamos continuar esta linha de pesquisa e ainda não penso em me aposentar. No futuro, ainda anseio escrever um livro sobre tendinopatias”, afirma Dr. Kandir.

Para os jovens especialistas, Dr. Kandir deixa a mensagem de que o estudo para obter novos conhecimentos nunca deve parar. “No nosso país, ainda estamos em desenvolvimento no tocante a pesquisas científicas, e é nosso dever como cidadãos dar um retorno humano à sociedade, descobrir novas técnicas de tratamento e curas”, afirma.

Além de sua clínica, Dr. Kandir é diretor da Santa Casa de São Manuel e coordenador de um ambulatório de pé diabético na Universidade Unesp de Botucatu. Casado há 48 anos, tem um filho ortopedista e uma filha ginecologista, além de quatro netos. “Sou muito feliz, tenho uma linda família e sinto orgulho da minha profissão”, finaliza.

Trabalho vencedor: Short term changes after corticosteroid injections into the normal tendons of rabbits: A controlled randomized study.

Autores: Kandir Genesio Innocenti Dinhane (UNESP Botucatu); Alexandre Leme Godoy-Santos (Universidade de São Paulo); Alexandre Todorovic Fabro (USP Ribeirão Preto); Maria Regina Moretto (UNESP Botucatu) e Winston Bonetti Yoshida (UNESP Botucatu).

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