A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) cancelou, nesta semana, o registro do Detox Pro, o antisséptico bucal que prometia uma grande inativação do vírus da Covid-19 nas vias aéreas dos infectados e a redução a progressão da doença. O órgão aponta que a comprovação de eficácia adicional não ocorreu na documentação apresentada até o momento. Já a empresa responsável pelo produto, a Dentalclean, afirma que se trata de um problema no rótulo e que entrará com novo pedido de registro.

Conforme o JC noticiou, o antisséptico começou a ser comercializado em dezembro do ano passado após ser alvo de pesquisas de quatro instituições, incluindo a Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP (leia mais ao lado). Também analisaram aspectos e eficácia do produto o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP de São Paulo, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o Instituto Federal do Paraná (IFPR).

De acordo com a empresa, as pesquisas mostraram que o Detox Pro conseguiria inativar 96% do vírus da Covid-19 que fica alojado na boca, na garganta e no nariz das pessoas infectadas, além de reduzir a progressão e a gravidade da doença.

Em nota, a Anvisa afirma que esse tipo de produto é passível de ser regularizado de forma simplificada junto ao órgão, em procedimento totalmente eletrônico. "No entanto, existe programa de verificação da regularidade dos produtos regularizados dessa forma para evitar a comercialização daquilo que não atende a legislação ou que possa comprometer a saúde da população exposta".

A agência pontua ainda que, "nesse momento em que diversas novas tecnologias têm se apresentado como possíveis barreiras à proliferação do microrganismo causador da Covid-19, no que diz respeito aos produtos sob vigilância sanitária, a Lei n.º 6.360, de 23 de setembro de 1976, é muito clara em relação à necessidade de comprovação de eficácia e segurança e, no caso em comento, essa comprovação de eficácia adicional não ocorreu na documentação apresentada até o momento".

Desse modo, o registro do produto foi cancelado e a empresa está proibida de fabricar o antisséptico bucal.

OUTRO LADO

Também por meio de nota, a Dentalclean confirma que o registro do produto foi cancelado na última segunda-feira (11). A empresa, contudo, diz que a agência tomou esta decisão por "questionamentos sobre o texto do rótulo" do antisséptico. "Para o registro do produto, todas pesquisas foram entregues com comprovação da eficácia. Foram seis estudos realizados, envolvendo laboratoriais, séries de casos e estudos clínicos randomizados triplo cego", aponta.

A Dentalclean ainda descreve que "as pesquisas envolvendo o Phtalox (tecnologia utilizada no antisséptico Detox Pro) se iniciaram em 2018 para problemas relacionados à boca e da melhora da saúde bucal. De março a outubro de 2020, todos esforços de mais de 60 pesquisadores de várias instituições foram focados para colaborarem com a pesquisa e desenvolvimento de um produto que pudesse auxiliar no combate ao novo coronavírus, o que resultou no lançamento do antisséptico bucal antiviral Detox Pro".

A empresa afirma que entrará com novo pedido de registro do produto, esclarecendo os pontos levantados e atendendo as exigências da Anvisa. "Esperamos que em breve, a produção e distribuição do Detox Pro sejam retomadas, atendendo, assim, a demanda dos clientes e consumidores", complementa o comunicado.

 

CONSUMIDOR

Por fim, a Dentalclean alega que "o relatório enviado não aborda danos à saúde das pessoas, pois não há contraindicação". Contudo, coloca-se à disposição se o consumidor quiser fazer a devolução do produto. Nesse caso, a empresa orienta a entrar em contato pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. com a nota fiscal. O cliente pode receber o valor de volta ou fazer a troca por outro produto do catálogo.

 Comunicado da FOB/USP

A Diretoria da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP) se manifestou oficialmente sobre o assunto em nota emitida na noite desta quinta-feira. No comunicado, a instituição esclarece que o produto Detox Pro "não foi produzido pela FOB/USP, mas sim por uma empresa, que teve a colaboração de um docente da FOB em uma das pesquisas para avaliação do produto". (Jcnet)

 

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